
Quem já caminhou pela orla de Belém do Pará, admirando o imponente Rio Guamá, provavelmente se pegou perguntando: o que existe do outro lado? O Rio Guamá, que banha a capital paraense e deságua na Baía do Guajará, carrega mistérios que, por muito tempo, me intrigaram. Afinal, o que há além dessas águas? Quem são as pessoas que vivem do outro lado, nas margens invisíveis ao nosso cotidiano?
Essa pergunta me acompanhou desde a infância. Naquela época, sem a tecnologia que hoje nos permite respostas instantâneas, a curiosidade ficava sem solução. Em 2012, mudei-me do Pará sem nunca desvendar esse mistério. Mas ele nunca me deixou. Anos depois, ouvi falar sobre comunidades que habitavam uma ilha do outro lado do rio, um lugar que parecia guardar histórias fascinantes.
Em 2023, após uma década longe da minha terra, finalmente retornei a Belém. Uma das primeiras coisas que fiz foi alimentar essa curiosidade que cresceu comigo. Me informei, planejei e atravessei o Rio Guamá pela primeira vez. Foi assim que descobri a Ilha do Combu, um refúgio de natureza e cultura que, para mim, ainda era um universo desconhecido.
Atravessei como uma criança explorando o quintal de casa, mas voltei como uma adulta tomada por uma mistura de encantamento e preocupação. Encantamento, porque o Combu é um lugar de beleza simples e grandiosa, que parece resistir ao tempo. Preocupação, porque o crescimento do turismo, ainda desordenado, ameaça a sustentabilidade da ilha. Sendo uma Área de Preservação Ambiental (APA), o Combu precisa de atenção e cuidado para que seu futuro não seja comprometido.
Essa experiência não apenas saciou minha curiosidade; ela transformou meu olhar. Abandonei um antigo projeto de TCC técnico e me dediquei a estudar a fundo o Combu e seus desafios. Em 2024, voltei à ilha com outro propósito: observar com mais critério e escrever com mais responsabilidade. Mesmo assim, não há como resistir ao impacto emocional que a ilha provoca.
Atravessei o país por um lugar que plantou em mim uma paixão sem igual. Esta reportagem é meu convite para que você também conheça e se apaixone pela Ilha do Combu – mas, acima de tudo, é um chamado para protegê-la, pois há muito mais além do rio do que podemos imaginar.
O OUTRO LADO DESSE RIO TEM NOME
A Ilha do Combu, localizada na margem esquerda do Rio Guamá, em frente à orla de Belém, é um refúgio natural que ocupa cerca de 1,5 mil hectares e abriga aproximadamente 200 famílias ribeirinhas. Essa é a quarta maior das 39 ilhas que compõem a capital paraense e um dos principais cartões-postais do turismo ecológico na região.
Uma das primeiras impressões ao iniciar o trajeto até a ilha é o contraste evidente entre dois mundos: de um lado do Rio Guamá, Belém, a metrópole amazônica com seus arranha-céus e ritmo urbano; do outro, a vastidão da mata amazônica, repleta de exuberância e tranquilidade. É como se, ao cruzar o rio, o visitante fosse transportado de uma paisagem urbana para um santuário natural, marcando o encontro entre urbanização e preservação. Essa dualidade também reflete realidades sociais: de um lado, a infraestrutura de uma cidade capaz de atender às necessidades modernas; do outro, a luta constante dos ribeirinhos para garantir o básico.
Comunidades e Cultura Ribeirinha
A ilha é composta por cinco comunidades: Beira Rio Guamá, Igarapé do Combu, Furo da Paciência, Igarapé do Piriquitaquara e Furo do Benedito. A vida por ali segue o ritmo das águas e da floresta, em harmonia com a natureza. Os moradores preservam tradições amazônicas que incluem o uso de plantas medicinais, o cultivo de ervas e a prática de saberes transmitidos por gerações.
A biodiversidade da ilha é um espetáculo à parte. Entre as espécies mais comuns estão o papagaio-do-mangue, conhecido localmente como curica, além de botos, cobras, bichos-preguiça e pequenos primatas. Para os amantes da observação de aves, a avifauna rica é um atrativo especial. Apesar de não ter avistado um boto durante minha visita, guardo a esperança de encontrá-los em um futuro retorno.
Economia e Sustentabilidade
A economia local é sustentada principalmente pela pesca artesanal, pela colheita de açaí e pelo cultivo de cacau, utilizado na produção de chocolate orgânico. Nos últimos anos, o turismo tornou-se uma fonte crescente de renda. A Ilha do Combu atrai visitantes em busca de contato com a natureza, passeios de barco e uma imersão na cultura ribeirinha. No entanto, esse crescimento traz desafios.
Desde 1997, a Ilha do Combu é reconhecida como uma Área de Proteção Ambiental (APA), o que estabelece limites claros para o uso do território. Segundo o regulamento da APA, estão proibidas atividades como a instalação de indústrias poluidoras, terraplanagens desnecessárias, e práticas que coloquem em risco espécies locais ou utilizem biocidas de forma indiscriminada.
Para monitorar e mitigar os impactos do turismo, o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (IDEFLOR-Bio) criou o Conselho APA Combu. Entretanto, ainda há lacunas importantes, como a ausência de um Plano de Manejo, documento fundamental para a gestão eficiente das Unidades de Conservação. Sem ele, o crescimento do turismo pode ameaçar o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.
O Futuro da Ilha do Combu
A notoriedade recente da Ilha do Combu exige atenção e planejamento. O crescimento do turismo traz oportunidades, mas também pressiona o delicado ecossistema local. Ações conjuntas entre o IDEFLOR-Bio, o Conselho Gestor e a população ribeirinha são essenciais para garantir que o turismo seja sustentável, respeitando tanto a biodiversidade quanto o modo de vida das comunidades.
A Ilha do Combu é mais do que um destino turístico: é um símbolo da coexistência entre natureza e humanidade, um lembrete da riqueza da Amazônia e da responsabilidade que temos em preservá-la. Enquanto o turismo transforma a paisagem social e econômica da região, o desafio será manter intacta a essência que torna este lugar tão único.
O CACAU DA FLORESTA E SUA INFLUÊNCIA NO TURISMO
Minha jornada para conhecer a Ilha do Combu começou com uma curiosidade irresistível: uma fábrica de chocolate orgânico que vinha ganhando fama como um exemplo de empreendedorismo sustentável no coração da Amazônia. Quando planejei minha ida a Belém, em 2023, já tinha o passeio reservado, com a Casa do Chocolate como destino principal.
No dia marcado, acordei cedo e fui ao terminal hidroviário de Belém, ponto de partida dos barcos que conectam a capital paraense à ilha. O pacote incluía a travessia, mas, curiosa, perguntei pelo valor da passagem. Descobrir que custava apenas R$ 20,00 me surpreendeu: tão perto da metrópole, mas a um preço que conectava mundos completamente distintos.
O Quintal que Deu Origem a um Legado
O empreendimento que tanto me chamou a atenção é o coração de Dona Nena, ou Izete Santos Costa. Nascida na Comunidade do Igarapé do Piriquitaquara, Dona Nena transformou o quintal de sua casa em um centro de produção de chocolate, misturando tradição e inovação. Minha primeira visita não coincidiu com sua presença, mas fiquei hipnotizada pela imponente samaúma, considerada a rainha da Amazônia. Ver uma dessas gigantes tão de perto foi como mergulhar nas raízes profundas da floresta.
Quando finalmente a conheci em minha segunda visita, Dona Nena estava na cozinha da fábrica, de touca, trabalhando na produção dos chocolates. Sentamos sob a sombra de uma árvore para conversar, e ali ela me contou sua história com uma sinceridade cativante.
“Por volta de 2010, eu comecei a vender os produtos do meu quintal em uma feira orgânica em Belém”, contou ela. Entre os itens, estava sua icônica massa de cacau puro, envolta em folhas do próprio cacaueiro e amarrada com palha de açaí. “A produção ganhou fama pela qualidade e, com o tempo, as pessoas começaram a vir me visitar na ilha. Chegavam aqui de surpresa, querendo conhecer como eu fazia tudo isso.”
Sem infraestrutura adequada na época, Dona Nena improvisava para receber os visitantes.
“Cheguei a comprar uma lanchinha para buscar as pessoas. Elas vinham até o restaurante Saudosa Maloca, e eu atravessava o furo para trazê-las aqui em casa. Depois, levava de volta. Era uma correria!”
Com o aumento da procura, ela sentiu a necessidade de ampliar o espaço para visitantes e diversificar sua produção. Com a ajuda do renomado chef Thiago Castanho, Dona Nena criou o brigadeiro da floresta e os nibs de cacau. O brigadeiro, aclamado como um dos melhores do mundo, atraiu turistas de todos os cantos e consolidou sua fama.
“Chegou uma época em que as pessoas apareciam aqui às 6h da manhã, querendo tomar café”, disse ela, rindo. “Foi aí que percebi que precisava de um espaço maior para recebê-las e também de mais cacau para atender à demanda.”
Em 2017, ela implantou um plano de manejo do cacau e expandiu o trapiche e a área de recepção. Com o crescimento, veio o desafio de gerenciar o negócio sozinha.
“Não dava mais. Eu tinha que ir à feira em Belém, agendar passeios, receber visitantes, fazer chocolate… Tudo sozinha! Foi então que trouxe um amigo para me ajudar na gestão.”
Formação e Crescimento
Em 2018, Dona Nena fez um curso em Canela, no Rio Grande do Sul, para aprimorar suas técnicas. No ano seguinte, se formou como chocolatier e lançou sua marca, Filha do Combu. Durante a pandemia, as visitas diminuíram, mas ela aproveitou para construir sua fábrica. Em 2022, a produção voltou a todo vapor, e hoje seus produtos ultrapassam as fronteiras do Pará e do Brasil.
O espaço onde Dona Nena morava foi transformado em uma cafeteria, que vende bolos e pães orgânicos feitos com cacau. Enquanto conversávamos, barcos atracavam constantemente no trapiche, trazendo visitantes curiosos para experimentar o chocolate e conhecer sua história.
Turismo e Desafios Ecológicos
Perguntei como ela vê o impacto do turismo na ilha. Dona Nena explicou que, ao longo dos anos, o crescimento desordenado trouxe desafios.
“Quando comecei, só existia o Saudosa Maloca, que é da minha prima. Era o único restaurante. Mas depois que a ilha apareceu na mídia, veio a energia elétrica e, com isso, a especulação imobiliária. De repente, todo mundo queria abrir algo aqui, mas sem planejamento.”
Hoje, a Ilha do Combu conta com mais de 20 restaurantes, mas nem todos seguem práticas sustentáveis.
“O barulho de som alto, lanchas e jet skis que entram no furo em alta velocidade incomodam muito. E tem gente tratando a água do rio com produtos químicos para deixá-la cristalina. Isso prejudica nossas plantações e a saúde do rio.”
Um Legado de Resiliência
No final da conversa, perguntei o que ela sente ao olhar para sua trajetória.
“Eu sinto alegria e orgulho. Sei que estou deixando um legado para minhas filhas. O povo me pergunta se eu sou rica, e eu digo que não sou, porque partilho (risos). Invisto aqui e isso já me enche o coração.”
Dona Nena também revelou que não pretende parar. Além de aprimorar a cafeteria, planeja abrir uma pousada ecológica para receber os visitantes de forma sustentável, especialmente com a COP 30 se aproximando.
Antes de ir embora, sentei para tomar um café e experimentar mais uma vez o famoso brigadeiro da floresta. Enquanto saboreava, pensei em tudo o que Dona Nena e o Combu representam: um exemplo de resiliência, inovação e amor pela terra. Era impossível não desejar que a ilha fosse protegida, para que sua magia e seu legado permaneçam intactos
A MÚSICA E A ARTE QUE ATRAVESSAM O RIO: A ORQUESTRA RIBEIRINHA DA AMAZÔNIA
Pela manhã, ao adentrar o Furo do Igarapé Combu, o som do motor e o barulho suave das águas logo cedem espaço a uma melodia mais viva: batucadas ritmadas ecoam entre as árvores. À medida que o barco se aproxima, a visão de crianças conduzidas por adultos, tocando tamborins com entusiasmo, torna a cena ainda mais encantadora. Foi nesse contexto que desembarquei, atraída pelo som e pelo desejo de conhecer de perto a Orquestra Ribeirinha da Amazônia, um projeto transformador que pulsa no coração da Ilha do Combu.
Minha busca por iniciativas culturais na região me levou até a Biblioteca Canto do Rio, onde o projeto acontece. Lá, crianças de diferentes partes da ilha e até de Belém se reúnem para aprender música e compartilhar experiências.
A Origem da Oquestra
Gabriel Paixão, um dos idealizadores da Orquestra, relembra como tudo começou. “Foi no auge da pandemia, em 2020. Eu, Nazaco e Marcel viemos para o Combu e, com um violão na mão, comecei a tocar guitarradas paraenses. Algumas crianças se interessaram, e o Nazaco começou a ensiná-las alguns ritmos. A rapidez com que aprenderam nos impressionou e, então, pensamos em levar aulas de música para a comunidade”, contou ele.
O projeto começou pequeno, com apenas 5 a 7 crianças, mas a notícia se espalhou. Quando visitei, vi barcos cheios de crianças chegando para participar. Em pouco tempo, o terreiro da biblioteca estava repleto de jovens entusiasmados, cada um com seu instrumento, seguindo o ritmo com dedicação. Contei mais de 20 crianças, todas concentradas no ensaio conduzido pelo professor Anderson, um dos pupilos do mestre Nazaco.
“Venho de Belém todo fim de semana com prazer. A travessia é pequena perto da alegria de encontrar essas crianças interessadas em aprender”, compartilhou Anderson.
Ele ensina ritmos amazônicos, como o carimbó e o siriá, e fala com paixão sobre o impacto do projeto. Apesar da ausência de apoio público, a Orquestra conta com a ajuda de ONGs, como o G10 Favelas, e de barqueiros que transportam as crianças gratuitamente.
Um futuro promissor
Perguntei a Anderson sobre os objetivos do trabalho e descobri que, em dezembro, as crianças lançarão um álbum com músicas autorais, compostas por elas e pelos professores. A emoção no grupo é palpável. “Esses ensaios são os últimos antes de irmos para Belém gravar no estúdio”, explicou.
Entre os talentos do grupo, Derek, um flautista autodidata, se destacou. Ele descobriu sozinho a paixão pelo instrumento, ensaiando com vídeos no celular dos pais. Quando tocou para o grupo, todos ficaram impressionados pela sua destreza e sensibilidade musical.
Uma experiência inesquecível
Enquanto observava o ensaio, as crianças me convidaram a participar. Sentada ao lado delas, pegaram minhas mãos, me entregaram baquetas e me ensinaram o ritmo base do carimbó, carinhosamente apelidado de “Tacacá”. A sensação de tocar junto delas, mesmo desajeitada, foi incrível.
“Confesso que sou péssima com coordenação”, ri com elas, que pacientemente me corrigiam sempre que saía do ritmo. O riso coletivo e as brincadeiras me transportaram de volta à minha infância na periferia de Belém.
No intervalo, notei um balanço improvisado em uma árvore e não resisti à nostalgia. Enquanto me divertia, as crianças riam e corriam em volta, como se o tempo tivesse parado naquele momento simples e genuíno.
A importância do projeto
Além da música, a Biblioteca Canto do Rio oferece atividades como incentivo à leitura e arte com materiais reciclados. A professora Josi, que está à frente da iniciativa há 17 anos, explicou que o projeto já ajudou muitas crianças ribeirinhas a ler, escrever e até auxiliar suas famílias em tarefas cotidianas.
“Muitas vezes, são as crianças que ajudam os pais a escrever algo ou fazer cálculos. Esse aprendizado vai além dos livros”, disse Josi, com um sorriso acolhedor. Quando contei que morava em São Paulo, ela me respondeu com uma frase que me arrancou risadas: “Teu lugar é aqui! Onde já se viu, uma paraense pavulagem dessas, morando longe?”
Uma promessa de retorno
Quando dei adeus à Orquestra Ribeirinha e às crianças que me acenavam alegremente até desaparecerem rio adentro, levei comigo mais do que memórias. Senti uma conexão profunda com aquela comunidade e uma promessa silenciosa de voltar.
A música que ressoa pelos furos do Combu transcende os tambores e flautas. É uma melodia de inclusão, cultura e esperança. Uma prova de que, em meio à natureza amazônica, a arte tem o poder de transformar vidas e preservar tradições.
ALÉM DESSE RIO TEM VIDA
Ao final de um dia mergulhando nos mistérios e encantos da Ilha do Combu, uma certeza me dominava: este é um paraíso amazônico, pulsando histórias, saberes, aromas, sabores e culturas. Mas, junto ao deslumbramento, veio um senso de urgência. Proteger esse território é uma tarefa que precisa ser ecoada e amplificada, antes que o impacto do turismo desordenado transforme para sempre a delicada harmonia que encontrei lá.
Conversei com Renato Rosas, ativista paraense, sobre a luta pela preservação ambiental da ilha. Suas palavras trouxeram à tona a realidade dura e limitada do ativismo em um contexto de negligência governamental e interesses econômicos que pouco se preocupam com a sustentabilidade.
“Nós lutamos, sempre estamos lutando, mas nossa luta é limitada. Não podemos superar sozinhos as barreiras impostas. Precisamos da força do povo, porque temos que preservar nossa vida para continuar lutando. Infelizmente, não temos apoio de quem realmente poderia fazer algo. Para eles, a exploração do turismo e da flora local é proveitosa. E o que podemos fazer? Lutamos como podemos”, desabafou Renato.
Ele relembrou o caso de Dom Phillips e Bruno Pereira, cujas mortes trouxeram à tona os perigos de defender a Amazônia:
“Dom era muito sonhador, via romantismo na Amazônia. Mas enxergar tudo com romantismo cega, e foi isso que o fez perder a cautela. Para lutar, precisamos ter os pés no chão e saber os limites. Não podemos ir até o fim, infelizmente.”
Essas palavras ecoaram profundamente em mim. É fácil se perder na grandiosidade da floresta e se deixar cegar por sua beleza avassaladora. O verde sem fim, os rios imponentes e o canto da biodiversidade que ecoa em cada canto nos envolvem em um encanto quase perigoso. Contudo, por trás dessa majestade, há um território vulnerável, desprotegido, que exige estratégias e equilíbrio para ser preservado.
Hoje, minha forma de luta é esta: escrever. Registrar o que vi, aprendi e senti ao explorar a Ilha do Combu. Quero que você, que lê esta reportagem, sinta um pouco da urgência de falar sobre a floresta. Não apenas a ilha, mas toda a Amazônia, que grita silenciosamente por ajuda, clamando por uma proteção que transcenda discursos vazios.
Além do rio, além das fronteiras do Sul e Sudeste, existe uma Região Norte – rica, pulsante e fundamental para o equilíbrio do planeta. A Amazônia não é um problema local, mas uma questão global. Sem ela, não há futuro.
Voltei para São Paulo com a cabeça cheia de reflexões, mas meu coração ficou na Ilha do Combu. Ficou navegando pelas águas silenciosas do rio, acompanhando o som das crianças ribeirinhas e o cheiro marcante do cacau sendo moído na floresta.
Preservar a Amazônia é um dever de cada um de nós. Que cada palavra escrita aqui seja um pequeno passo nessa luta coletiva – porque, como Renato disse, sozinhos, somos limitados. Mas, juntos, podemos manter viva essa terra que, mais do que nunca, precisa de nós.
Preservar a Amazônia é um dever de cada um de nós. Que cada palavra escrita aqui seja um pequeno passo nessa luta coletiva – porque, como Renato disse, sozinhos, somos limitados. Mas, juntos, podemos manter viva essa terra que, mais do que nunca, precisa de nós.